FOGOS: Faltaram meios aéreos para minorar os dois fogos florestais, diz Câmara de Braga

O vice-presidente da Câmara Municipal de Braga, Firmino Marques, afirmou esta tarde que faltaram meios aéreos para minorar os dois grandes incêndios florestais que durante o dia e a madrugada de domingo para hoje fustigaram o concelho bracarense
Segundo o vice-presidente da Câmara Municipal de Braga, «não há frentes activas, mas apenas três operações de rescaldo por causa de reacendimentos sob controlo», fazendo assim o ponto da situação dos incêndios florestais do concelho bracarense, que confina, entre outros, com Vila Verde e Amares.


Em resultado dos dois grandes incêndios, o primeiro iniciado em São Mamede de Este, o segundo na Morreira, foram consumidos cerca de 1.200 hectares – equivalente a 1.200 campos de futebol – e houve o empenhamento de 200 elementos operacionais e de 100 veículos, entre bombeiros, militares e polícias de todo o distrito, segundo revelou esta tarde o adjunto técnico dos Bombeiros Sapadores de Braga, Nuno Machado.

Acerca dos danos, o director municipal da protecção civil, arquitecto Vítor Azevedo, em declarações aos jornalistas nos Paços do Concelho de Braga, confirmou a existência de um desalojado, um homem de 86 anos, residente num monte da freguesia de Fraião, que foi acolhido pelos filhos, com apoio do Sector de Acção Social da União de Freguesias de Nogueira, Fraião e Lamaçães, já que ardeu a sua única habitação.

Sobre o condicionamento de trânsito na Via da Falperra (Estrada Nacional 309), entre as boxes da Rampa da Falperra e o picadeiro do Monte do Bom Jesus, passando ainda pela Rotunda do Papa, no Sameiro, o arquitecto Vítor Azevedo explicou que «dependem só de verificações de segurança nas zonas adjacentes aos incêndios por causa da eventual queda de árvores e outras situações, mas penso que em princípio ainda esta terça-feira ficaremos a saber quando é que a Via da Falperra ficará sem os constrangimentos ao trânsito automóvel e à circulação pedonal».

CONDIÇÕES ATÍPICAS

Vítor Azevedo destacou que «tivemos neste fim de semana condições atípicas para a ocorrência de incêndios florestais, especialmente nesta época do ano, com condições meteorológicas adversas, potenciadas pela velocidade do vento com a média de rajadas, durante a noite, de 90 a 100 quilómetros, o que dificultou sobremaneira o trabalho das equipas no terreno, porque o incêndio assumiu um comportamento extremo e com uma velocidade de propagação que trouxe vários constrangimentos ao posicionamento das mesmas equipas».

Acerca da destruição de uma metalomecânica e de uma oficina de automóveis, com uma incineração de oito viaturas, num pequeno condomínio industrial situado entre Fraião e Nogueira, Vítor Azevedo colocou em causa que este sinistro tivesse sido originado pelo grande incêndio que desde a freguesia de Morreira passou por Trandeiras, Esporões, São Paio de Arcos, Nogueira, Fraião, Lamaçães, Nogueiró e Tenões, passando através do Monte de Santa Marta da Falperra.

«Deixa-nos muitas dúvidas a relação de causa e efeito do fogo nesse armazém que tinha a indústria e a oficina de automóveis, dada a hora a que ocorreu, entre as três e meia e as quatro horas da madrugada de hoje», afirmou Vítor Azevedo, salientando que «todas as avaliações estão a ser realizadas para o esclarecimento cabal de todas essas situações».

FALTARAM MEIOS AÉREOS

Firmino Marques referiu que «poderiam ter sido de grande utilidade os meios aéreos, para debelar ainda numa fase inicial a deflagração de ambos os incêndios, mas não apareceram, apesar de terem sido por nós solicitados, porque estavam previstos pelo plano nacional de operações e que terminariam só ontem, portanto, dia 15 de Outubro».

«Fizemos vários pedidos de meios aéreos, só que não chegavam para todo o território», destacou Firmino Marques, considerando que «fomos siderados por uma vaga atípica de incêndios, não só no nosso país, como na vizinha Galiza, a quem desde já endereçamos um abraço aos nossos amigos galegos e com os quais nós temos preocupações comuns».

O vice-presidente da Câmara Municipal de Braga informou que quem tiver dúvidas ou precisar de apoio poderá contactar a autarquia pelo telefone 253 203 150 ou pelo email proteccao.civil@cm-braga.pt para quaisquer tipo de esclarecimentos.

Firmino Marques agradeceu igualmente a «pronta solidariedade de cidadãos, empresas e instituições, desde as primeiras horas do incêndio, quando estávamos ainda no posto de comando do primeiro grande incêndio até ao final do outro grande fogo, que declaramos extinto cerca das sete horas da manhã desta segunda-feira».

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Redacção / JG (CP 2015)
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